sábado, 12 de março de 2011

, MODA MASCULINA

SPFW Inverno 2011 – Alexandre Herchcovitch

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ueba!! Acima o desfile com imagens editadas, e abaixo, misturadas ao texto, fotos de hits da coleção, para que possamos entender do inverno 2011, com mais detalhes.Alexandre Herchcovitch, com seu desfile, fala sobre um mundo pós-apocalíptico e convida o espectador a refletir sobre a interação entre homem e meio. O estilista construiu suas peças pensando nas condições adversas a que esse homem pós-industrial estaria submetido.A paleta de cores é fechada, composta por preto, cinza, marrom, e prateado – o último tom alude a mantas térmicas – Alexandre ilumina a coleção com laranja.

As formas são amplas e afastadas do corpo. Hoodies, blusas e jaquetas têm comprimento maior e são combinados a calças igualmente volumosas. Os tecidos se misturam e o couro mistura-se ao acetato térmico na tentativa de compor um homem forte, um sobrevivente.A alfaiataria dá um show de expertise, modelagem, acabamento e proporções. Incita o desejo de montar um guarda-roupa apenas com esta coleção, e viajar pelo mundo globalizado, vestindo orgulhosamente, um autêntico “made in Brasil”. Abaixo, o look escolha do editor: sem legendas.


Fotos: Agência Fotosite

Atenção, respeitável público: preparem-se para uma parábola. Eu conheço e acompanho o trabalho de Alexandre Herchcovitch, há muito tempo. E, cada vez mais, mais adoro. Se duvidar, desde sua formatura na Santa Marcelina, eu já estava de olho nele, mas o primeiro corpo-a-corpo, foi (segundo ele a data), em 1996, quando o estilista “importou” para a fila A de seu desfile no Phytoervas Fashion, (embrião do #SPFW) a Patricia Field, então empresária, dona de loja hype, em Nova York, e hoje dublê de stylist e famosa por seu trabalho na série e filme “Sex and the City”.

Naquele ano (foi o próprio Alê, que me lembrou, ser o de 1996), eu estava no GNT Fashion, como Diretor de Arte e Editor de Conteúdo (nome chic de hoje, que não existia naquela época), e vim a São Paulo, exclusivamente para entrevistar o estilista Herchcovitch e sua musa Pat Field, se não me engano, a primeira a vendê-lo, em Manhattan. Eu vim, cara pálida, quer dizer a equipe da BL Productions (produtora de Betty Lago, que assinava o programa, naqueles tempos) veio, ou seja, um time apostando no taco do rapaz.

Pat Field e sua namorada da vez, (isso eu não perguntei a ela, mas alguem comentou em minha orelha, com pompa e circunstãncia) me contaram tudo sobre suas apostas no novo talento brasileiro. Disso, eu nunca tive dúvidas e fico feliz ao ver, hoje, que a cada coleção, Alexandre matura, decanta seu olhar para a moda masculina, que faz minha cabeça , misturando o edgy/sharp/ hype (= moderno), com a tradicional alfaiataria e materiais contemporãneos : mixando nylon e boas lãs e tweeds e/ou semelhantes.Tudo é perfeito em seus desfiles: das trilhas ao casting, do styling ao make up. Durante toda a entrevista de mais de 40 minutos com a Patricia, o batecum atrás de nós, na montagem do set do desfile, impediu que a aproveitássemos, quando voltamos ao nosso quartel-general, no Rio de Janeiro.

No ano anterior e também em, 1996, o GNT Fashion ganhou, por duas vezes consecutivas, o prêmio Phytoervas Fashion Awards, como melhor programa de moda, na televisão brasileira. Ufa !! E, importante: tem meu dedo lá também, fiz parte desta construção/documentação.Aqui termina parte da parábola fashion/bíblica, que me confirma mais e mais, com estas lembranças, a qualidade, valor e importância, do trabalho de Alexandre Herchcovitch, na formatação da moda masculina, autoral brasileira.

Mas, como “nobody is perfect”, e nem eu e nem ele, hoje acho muito cansativa esta postura de menino minado e cheio de marrinhas, ou moody&moody :: em bom português, “de veneta”. No verão, recebe a uebaTV, em seu camarim, já no inverno fica no “vou pensar”. Considero isso falta de respeito. Confesso que, pelo fato de ser “vintage” no negócio de moda, estou nesta janela há quase 3 décadas, já passei pelos ilustres gringos, que abriram o cordão, dos que se escondem e fazem charme com a imprensa especializada e, por conseguinte, com o seu público e audiência.

O primeiro deles, Romeo Gigli, do meio para o final dos anos 80, (Alê H, devia estar na Santa Marcelina, ainda), que quando era casado (ou seria namorado??) com a Carla Sozzani (10 Corso Como) não dava as caras, nem antes e muito menos depois dos desfiles. Mas as irmãs Sozzani, Carla + a toda poderosa Franca/Vogue Italia (desde 1988), puxaram o tapete, e transformaram seu Spazio Romeo Gigli, na loja conceito mãe de todas do mundo, a 10 Corso Como, em Milão. Depois disso, o Romeo tratou de aparecer em final de desfiles e dar entrevistas a go go.Por mero acaso, quando eu soube deste bafo (fofoca), fresquinho, tipo assim, “rolou ontem à noite”, eu estava almoçando com 2 amigas, na badalada Latteria San Marco, a boca quente dos gossips fashion, daqueles tempos (e até hoje), também em Milão. O babado causou frisson no almoço, e os comentários, embora a Latteria só tenha 8 mesas, daí seu charme, era geral : agora vamos ver, se ele vai ou não, dar as caras para a imprensa. Nossa !! Fofocas de lado …

Pois é, mas a saga da “face oculta”, tinha seu charme e foi coroada com o estilista belga Martin Margiela, que um dia foi Margula e que, até hoje, muitos poucos sabem de seu paradeiro ou como é a sua cara.Mas, até dele eu descobri que tenho foto em livro sobre o grupo chamado “6 de Antuérpia”, designers belgas que invadiram Londres, nos anos 80.

Confesso que, depois deste corte de onda com o fato de Alexandre Herchcovitch não receber a imprensa, em seu backstage, antes do desfile, mesmo gente civilizada, que chega cedo à Bienal, que se agenda com assesorias, confesso que, caiu a ficha.

Acredito que, depois de 1 ano morando em Sampa, finalmente entendo o que os paulistas chamam de “preguicinha”. Não sou muito chegado a diminutivos e não digo “inveja branca”, ou “invejinha”, mas que esta postura do Alê dá uma puta pregucinha. Ah isto garanto que dá. Ok, depois do desfile eu o perdoo, sempre, mas que caminho da “inha”, para a puta preguiçona, ona, isso é fato.


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